Ao Nosso Grande Mestre ALBERTO MANSUR

 

 

 

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25 anos de Ordem DeMolay, Amizade e 22 dias de frio e longo Inverno !

Numa tarde de sábado, chegando ao capítulo pra minha iniciação, já sabia que o Tio Mansur lá estaria. Cheguei cedo, apreensivo, um pouco assustado... Pois, conheceria naquele dia, o homem da foto do jornal, que noticiando seu gesto, havia me trazido pra Ordem DeMolay.

Foi num dia 13 de Março de 1988, que li no jornal “ O Globo ”, que o Soberano Grande Comendador da Maçonaria, havia sido empossado no Hotel Glória. No segundo parágrafo da matéria, falavam da sessão que havia antecedido tal evento, onde jovens de 13 à 21 anos, da Ordem DeMolay, haviam realizado uma bela cerimônia. Por já buscar algo sobre maçonaria àquela época, caiu-me como luva, aquela notícia... e assim através dela, chegava à nossa Fraternidade.

Passei a frequentar o Capítulo Rio de Janeiro 001, e meses depois, chegaria o dia da iniciação. Não bastasse o nervoso da Iniciação, soube que o Tio Mansur lá estaria. Porém, uma aura cercava aquela foto, e mais que isso, aquele nome. Alberto Mansur ! Esse nome que todo o Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria para a República Federativa do Brasil, de muito devia, era falado com respeito, admiração e quase medo... Assim, a expectativa de conhecer “o Homem”, criava uma aura de quase temor, maior até do que a expectativa da iniciação...

Chegou o momento, passada a iniciação, a sessão pública, meus pais já estavam lá... Tio Mansur, já estava na sede do Supremo Conselho, em sua sala e de lá, sairia no momento da reunião. Logo, todos nós meninos entrando na puberdade, nos alvoroçávamos, para bem recebe-lo e assim, ‘fazer bonito’!

Quando o vi pessoalmente, a simplicidade e lhaneza, quebraram toda aquela mística criada. Logo descobri, que ele já conhecia meu Pai, pois meu Pai sempre comprava pães e frango assado, quando levava-me à oficina em Botafogo, e tal padaria era bem defronte à residência do Tio Mansur.

Nunca imaginei, ainda mais naquele momento, que viríamos a ser tão bons amigos... Uma, pela autoridade e posição dele, outra pela diferença etária... Com o passar dos anos, e a evolução dentro da Ordem DeMolay, fomos ficando mais e mais amigos, passando a viajar pelo Brasil e ao exterior, impressionava-me que não exigia classe executiva ou primeira classe, quarto de luxo ou carro a disposição... Não ! Dormíamos 4 ou 5, no mesmo quarto, andávamos de ônibus, comíamos nos mesmos e mais simples lugares...

Desbravava o Brasil, onde quer que houvesse uma loja patrocinadora de um Capítulo DeMolay. Passava semanas viajando, e não eram poucos os meses, que nenhum final de semana, era passado com a família.

Infelizmente, poucos são os que reconhecem o desprendimento, a dedicação e a paixão por uma causa.

Com o tempo pude entender, a grandeza de seu ato. Abrir mão de uma cargo que era vitalício, e que desde 1832, todos que passaram por ele, só saiam deste cargo, quando mortos.

Estudando mais a história, descobri que no ano de 1974, ano da assunção dele ao cargo de Soberano Grande Comendador, o Supremo Conselho do Grau 33, resumia-se a uma saleta de 12 mt², com uma mesa e alguns arquivos, para organizar em todo o Brasil, os quase 1000 ( mil ) maçons que faziam o Rito Escocês. Quando o Tio Alberto Mansur, passou o cargo para o ultimo grande e digno maçom, que passou naquela instituição, Tio Venâncio Pessoa Igrejas Lopes, eram mais de 30.000 ( Trinta mil ) maçons filiados. Com mais de 5 milhões de dólares de captações anuais, numa sede de quase 20 mil metros quadrados, enfim, uma verdadeira potência maçônica.

Mas se para alguns, isso dizia alguma coisa, para ele Tio Mansur, o que importava era a união e o fortalecimento da família brasileira, sob à égide da Maçonaria Universal. E não satisfeito, em dar uma oportunidade aos jovens, através da Ordem DeMolay. Empenhou-se em trazer para as meninas, a Ordem das Filhas de Jó, e logo a seguir, para as cunhadas e mães destes jovens, a Ordem da Estrela do Oriente.

Assim, nestes 25 anos de companhia, aprendizado e amizade, pude entender que o que faz o homem não são os cargos ou posições que por ventura possa ocupar... mas, a diferença e o que de melhor para o Mundo, pode-se legar ! Nos últimos 22 dias, que passei ao seu lado no Hospital, impressionou-me a grandeza e a tranquilidade de chegar aos seus momentos finais, com uma serenidade sem par, e um riso no rosto, apesar das preocupações de como as coisas iriam andar, depois de sua morte...

Relembrando, outro grande maçom do Rito Escocês, também Alberto... digo, Albert Pike que dizia : “"O que fizermos apenas por nós mesmos, morre conosco. O que fizermos pelos outros e pelo mundo, permanece e é imortal"... Certamente, Alberto Mansur permanece imortal a cada iniciação demolay, em cada sessão, onde houver uma filha de jó ou uma cunhada trabalhando na Estrela do Oriente.

Que consigamos viver tão nobremente, quanto ele viveu e morreu !

Max R. Pereira Hager, DeMolay, 33° e MI.
Ven. Mestre da ARLS GM Alberto Mansur #3196
Past Grande Mestre do SCODB.